Dia 1 — Começar pelo corpo
Este texto foi escrito acompanhando uma prática do Desafio de Yoga para Cultivar um Ano Realmente Novo. O convite e link para prática está no final do texto.

(arte de Fatih Gözenç, Berlin)
Hoje iniciamos o movimento.Hoje tivemos a coragem de começar.
No caminho da Yoga, não começamos pelas posturas. Começamos pela intenção. Pela semente de quem desejamos ser, de como queremos nos colocar no mundo e de como pretendemos sustentar a própria vida.
Na tradição do Kriyā Yoga, esse caminho se apoia em três pilares:- Tapas, a prática consciente- Svādhyāya, o autoestudo- Īśvara-praṇidhāna, a entrega ao que não controlamos
Aqui, entramos em Tapas como uma chave para sair do estado de sobrevivência. Esse estado em que o sistema nervoso se organiza para proteger, mas não para viver plenamente.
Nos Yoga Sūtras de Patanjili, Tapas não aparece como rigidez. Ele é descrito como prática contínua (abhyāsa), sustentada ao longo do tempo, com discernimento(viveka). Nada fala de perfeição, tudo fala de retorno.Retornar à intenção.
Retornar ao corpo.
Retornar ao que importa.
E o ato de retornar (mesmo depois de falhar, parar ou se perder) isso é Tapas. O fogo interno que não consome, mas aquece e reconecta.
Tapas não começa com intensidade. Começa com disponibilidade. Não é insistir a qualquer custo, mas voltar com escuta e respeito ao corpo.
Quando o sistema nervoso está em modo de sobrevivência, tentar fazer mais costuma gerar ainda mais congelamento. Hoje, Tapas foi se conectar com a prática da forma possível.
Na neurociência, sabemos que segurança não nasce da exigência, mas da experiência repetida de que é seguro tentar.
Stephen Porges nos lembra: “Segurança não é um pensamento. É uma experiência corporal repetida.”
Na Katha Upanishad, lemos: “Levanta-te. Desperta. Aprende caminhando.”
Aqui, levantar não é um ato a ser forçado. E sim, despertado.
É na experiência que a transformação acontece.
Sair do congelamento exige movimento, sim, mas não de cobrança, não de pressão.
Exige regulação.
Multiplicamos experiências de segurança,e, a partir delas, o movimento que queremos emerge.
A gente já sabe fazer isso.
A gente já faz.
Mas esquece.
E lembrar também é prática. É preciso relembrar para se conectar e evocar essa parte de nós mais uma vez.
A pergunta para hoje é: O que em mim conseguiu começar, mesmo com medo?
Pega teu caderno de aprofundamento de si, anota, conversa contigo. Se acostume consigo e com a sua mente. Onde quer que vamos, estamos. É preciso começar um diálogo interno de curiosidade e não de pressão. Vamos juntos?


Comentários